Muito além da necessidade biológica e nutricional
“O estudo da comensalidade é a questão principal [...] o ato de comer vai muito além da necessidade biológica e nutricional, e o simples ato de comer em público, ainda que o comensal esteja solitário, possui um simbolismo e uma ritualística que estão para além da necessidade alimentar. A comida não se reduz à dimensão biomédica e/ou bioquímica dos nutrientes; é preciso pensá-la além da superficialidade e da naturalização do ato de comer na vida cotidiana.” (p. 20).
Sobre a Comensalidade
Shrley Donizete Prado (UERJ)
A cultura está dentro de nós. Nós nunca estamos sozinhos. Então nós sempre estamos comendo com o outro.
O que comer, como comer e com quem comer...
“Os comensais se orientam a partir dos códigos rituais da cultura e demonstram claramente que comer é uma necessidade biológica, sim, mas a escolha alimentar do que comer, como comer e com quem comer é totalmente mediada pela cultura e pelas normas e convenções de cada sociedade” (p. 21).
Um circuito da comensalidade

Prof. Ronaldo Gonçalves de Oliveira
Em torno da mesa posta, seja esta um móvel rodeado de cadeiras, uma toalha sobre o chão, o interior de um carro numa viagem prolongada ou uma conversa de vídeo entre amigos, os comensais estão sempre informados pela sua cultura.
Esta condição se observa seja ao escolher o que comer (por exemplo, quais alimentos, quais não, que alimentos se destinam a que comensais etc.), como comer (que tipos de talheres, se com as mãos, guardanapos, que tipos de pratos ou recipientes, em que ordem, associando-se que alimentos a quais outros etc.), quando comer (quantas refeições, quais, como são pensadas, em que momentos e em função do que), com quem comer ou porque comer (uma celebração, uma refeição rotineira, uma razão de saúde, um projeto de corpo, uma distração, um desejo, um encontro de amigos ou profissional etc).
Esta condição se observa seja ao escolher o que comer (por exemplo, quais alimentos, quais não, que alimentos se destinam a que comensais etc.), como comer (que tipos de talheres, se com as mãos, guardanapos, que tipos de pratos ou recipientes, em que ordem, associando-se que alimentos a quais outros etc.), quando comer (quantas refeições, quais, como são pensadas, em que momentos e em função do que), com quem comer ou porque comer (uma celebração, uma refeição rotineira, uma razão de saúde, um projeto de corpo, uma distração, um desejo, um encontro de amigos ou profissional etc).
Estes comensais atribuem e vivenciam sentidos a estas situações e escolhas relacionadas ao ato de comer. Situações em que o alimento pode ser o deflagrador, mas a mesa se organizará de maneiras tão diversas quanto as relações sociais que as precedem. Estas relações são reafirmadas e portanto estruturadas também através das dinâmicas comensais.
"A comensalidade vertical diz respeito às relações à mesa que estabelecem a hierarquia por vários fatores, como posição e comidas especiais ou quantidade de comida que se servem a alguns comensais."
"A comensalidade horizontal estabele a igualdade dos comensais pela humanidade com que todos se estabelecem à mesa."