Filmes em debate
O tempero da vida
Comensalidade e identidade entre imigrantes deportados

Fanis (Markos Osse) é um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia. Seu avô, Vassilis (Tassos Bandis), é um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor. Ao crescer Fanis (Georges Corraface) se torna um astrofísico, que usa seus dotes de culinária para temperar as vidas das pessoas que o cercam. Ao completar 35 anos ele decide deixar Atenas e retornar a Istambul, para reencontrar seu avô e também seu primeiro amor.
Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-60086/
O tempero da vida: comensalidade e identidade entre imigrantes deportados
Eventos políticos e um jantar interrompido

A obra nos situa em Istambul, cidade marcada por históricos (des)encontros de culturas e civilizações. A antiga Bizâncio ou Constantinopla, com um pé na Europa, outro na Ásia, é endereço de cristãos ortodoxos (principalmente gregos) e muçulmanos (turcos) e está fincada no meio de uma rota ancestral de especiarias. A cidade é conhecida até hoje pela expressão do comércio de temperos em seus mercados.
A confusa harmonia de que desfruta a família de imigrantes gregos vivendo na Turquia está prestes a ser seriamente abalada. Os conflitos em Chipre, onde desentendimentos entre gregos cipriotas e turcos cipriotas geram tensões entre os dois países, são percebidos com preocupação pelos homens da família do menino Fanis em Istambul, atentos aos movimentos da política.
Fanis, os pais e o Avô se organizam em torno da mesa do jantar à noite, quando a família recebe a visita de um oficial do departamento de imigração do governo turco. É uma cena em que a casa está pouco iluminada e lá fora chove, tornando o ambiente lúgubre e soturno, chamando à introspecção. O oficial se reúne com o pai de Fanis, o senhor Savvas Iakovides, e anuncia que o visto de residência do chefe da família não poderá ser renovado.
Falando a respeito (vídeos):
"Gregos para uns, turcos para outros, a família Iakovides segue gravitando em torno das próprias relações afetivas e de suas dinâmicas e rituais – que são, em boa parte do filme mostradas através da comensalidade – e vive essa certa hibridez de identidades. Gregos por origem, mas estrangeiros em seu retorno para a Grécia, são também estrangeiros na Turquia, de onde foram deportados."
Sugestões de leitura
Identidade | Z. Bauman
BAUMAN, Z. Identidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
História do cinema | Mark Cousins
COUSINS, M. História do cinema. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais | Tomaz Tadeu da Silva
SILVA, T. T. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000.
Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura | Walter Benjamin
BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
Conta de mentiroso: sete ensaios de antropologia brasileira | Roberto DaMatta
DAMATTA, R. Conta de mentiroso: sete ensaios de antropologia brasileira. Rio de Janeiro: Rocco, 1993..
Da diáspora: identidades e mediações culturais | Stuart Hall
HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2013